Quando falamos em marketing de conteúdo, é comum pensar em blogs, redes sociais ou vídeos na internet. Mas e se a gente te dissesse que essa estratégia nasceu bem antes disso, no campo, ainda no século XIX?
Em 1895, a John Deere lançou a The Furrow, uma revista feita especialmente para produtores rurais. Em vez de tentar vender tratores a todo custo, a marca escolheu um caminho diferente: oferecer informação útil, histórias reais e dicas práticas para quem vive da terra.
O resultado? A empresa estabeleceu um relacionamento de confiança com seus clientes, décadas antes de alguém inventar o termo “marketing de conteúdo”.
Neste artigo, vamos mostrar como The Furrow plantou a semente do marketing moderno e por que essa história ainda tem muito a ensinar para quem trabalha com o agro hoje.
Como era o marketing antes da John Deere?
Antes da virada que a John Deere provocou, o marketing seguia um padrão simples: vender a qualquer custo. As marcas criavam anúncios com frases de efeito, ilustrações chamativas e promessas genéricas, tudo voltado apenas para convencer o cliente a comprar.
No setor agrícola, isso não era diferente. Os produtores recebiam pouca ou nenhuma informação realmente útil para o dia a dia da lavoura. Os anúncios falavam mais sobre o produto do que sobre as dores, desafios ou necessidades reais do campo.
Além disso, a comunicação era completamente unilateral. As empresas falavam; o produtor ouvia, e só. Não havia escuta, troca ou construção de confiança. Foi nesse cenário que a John Deere decidiu fazer diferente.
A virada de chave: nasce The Furrow, em 1895
Em 1895, a John Deere decidiu inovar de um jeito que ninguém esperava: lançou uma revista feita especialmente para o produtor rural.
Batizada de The Furrow, a publicação não tinha como foco principal os produtos da marca. Pelo contrário, a ideia era ensinar, inspirar e manter o produtor bem informado, com conteúdos úteis sobre técnicas agrícolas, gestão da propriedade, novidades do setor e histórias de outros agricultores.
Era um tipo de comunicação revolucionária para a época. Em vez de empurrar vendas, a John Deere escolheu gerar valor real para o produtor. E mais: fazia isso com uma linguagem acessível, próxima, que respeitava o conhecimento e a vivência de quem vive da terra.
Com isso, The Furrow virou referência, e plantou a semente do que hoje chamamos de marketing de conteúdo.

Capa da edição de 1897 da revista The Furrow.
O que The Furrow oferecia?
Mais do que uma revista institucional, The Furrow era uma ferramenta de informação valiosa para o produtor rural. Enquanto outras marcas insistiam em vender, a John Deere apostou em ensinar e apoiar. A revista trazia:
- Reportagens sobre inovações no campo: novas tecnologias, equipamentos e práticas que estavam transformando a agricultura.
- Histórias reais de produtores: mostrando desafios enfrentados, soluções adotadas e os resultados obtidos, criando identificação e inspiração.
- Dicas técnicas e novidades da área: desde manejo de solo até práticas que aumentavam a produtividade e eficiência no campo.
Esse conteúdo não só informava, mas ajudava o produtor a evoluir no seu dia a dia, fortalecendo a marca como referência de confiança e conhecimento. Veja a seguir um exemplo de conteúdo técnico publicado para ajudar o dia a dia do produtor.

Por que isso é considerado marketing de conteúdo?
Hoje, chamamos de marketing de conteúdo toda estratégia que busca informar, educar ou entreter o público com conteúdo relevante. E foi exatamente isso que a John Deere fez com sua revista.
Ao invés de empurrar seus produtos, a marca ofereceu valor real: conhecimento técnico, histórias inspiradoras e informações úteis para o produtor evoluir na lavoura. Essa abordagem gera um efeito poderoso:
- O produtor começa a confiar na marca.
- Enxerga a empresa como uma parceira, não só uma vendedora.
- Cria-se um relacionamento duradouro e de autoridade.
Por isso, mesmo mais de 100 anos depois, The Furrow ainda é estudada como um dos primeiros e mais bem-sucedidos exemplos de marketing de conteúdo no mundo.

O impacto disso no agro e no marketing até hoje
Mais de um século depois, a semente plantada pela empresa continua dando frutos. A revista segue ativa, publicada em dezenas de países e em diversos idiomas, mantendo a essência: informar, inspirar e dialogar com quem vive o campo.
O que a John Deere fez em 1895 antecipou um modelo de marketing que só se tornaria popular com a internet:
- Educar o cliente antes de vender.
- Construir relacionamento com base em confiança e valor.
- Posicionar a marca como autoridade.
Essa visão transformou a forma como as marcas se comunicam com o agro, e hoje serve de inspiração para empresas que querem ir além do panfleto e da propaganda genérica.
Em um setor onde confiança e conhecimento são tudo, oferecer conteúdo relevante ainda é uma das estratégias mais eficazes para gerar resultados e construir parcerias duradouras.
Mesmo em tempos digitais, a The Furrow continua sendo referência em conteúdo de qualidade para o agro.

Como podemos aplicar isso no Brasil de hoje?
A principal lição que The Furrow nos deixa é clara: marcas que educam, escutam e acompanham o produtor geram valor real, e esse valor constrói vínculos duradouros.
No Brasil, esse princípio é mais atual do que nunca. Pequenos e médios produtores estão conectados, buscam conhecimento e consomem conteúdo digital com frequência. Eles procuram informação útil para o dia a dia, não apenas propaganda.
Isso mostra que o marketing no agro pode, e deve, ir além da venda. É possível construir autoridade, confiança e relacionamento ao entregar conteúdos relevantes, no momento certo e com a linguagem certa.
As ferramentas mudaram, mas o propósito segue o mesmo. O agro digital pode aplicar os mesmos princípios da John Deere com novos formatos: vídeos educativos, publicações em redes sociais, blogposts técnicos, e-books, guias práticos, calculadoras e plataformas interativas.
O desafio agora é usar a tecnologia com estratégia, sem perder a escuta e a empatia. As marcas que entenderem isso estarão mais próximas do produtor, e mais preparadas para o futuro do setor.
Conteúdo é estratégia: e o agro precisa disso
A John Deere mostrou o caminho há mais de um século: quando uma marca oferece informação de qualidade, ela deixa de ser apenas fornecedora e passa a ser parceira. Ao investir em conhecimento e diálogo, criou um modelo de comunicação que ainda inspira o marketing moderno.
Hoje, temos mais recursos (vídeos, redes sociais, plataformas digitais) e, com eles, mais oportunidades de criar conexão com quem está no campo. A lógica continua a mesma: entregar valor antes de vender.
Sua marca também pode crescer no agro com uma estratégia de conteúdo bem pensada, relevante e alinhada à realidade do produtor. Na agrowwW, unimos experiência de campo com visão estratégica para criar conteúdos que aproximam marcas de pessoas.
Se você quer aplicar esse modelo na sua comunicação, fale com a gente. Vamos juntos transformar informação em relacionamento, e relacionamento em resultado!







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